Bill Watterson, criador das adoradas tirinhas de “Calvin e Haroldo”, recorda o passado sem ressentimentos

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Bill Watterson, criador da tira de quadrinhos agenciada “Calvin e Haroldo” é mostrado nesta foto de arquivo de 1986.

Isto marca o décimo quinto ano desde que “Calvin e Haroldo” disseram adeus às páginas de quadrinho. O criador Bill Waterson, que cresceu em Chagrin Falls e ainda faz de Greater Cleveland seu lar, recentemente respondeu algumas perguntas do repórter John Campanelli do Plain Dealer via email. Acredita-se que seja a primeira entrevista com o recluso artista desde 1989.

Com quase 15 anos de separação e reflexão, por que você acha que “Calvin e Haroldo” não só simplesmente capturaram a atenção dos leitores, mas seus corações também?

A única parte que entendo é o que aconteceu na criação da tira. O que os leitores aproveitam dela depende deles. Uma vez que a tira é publicada, os leitores trazem suas próprias experiências, e o trabalho ganha vida própria. Todos respondem diferentemente a partes diferentes.

Eu só tentei escrever honestamente, e tentei fazer este pequeno mundo divertido de se olhar para que as pessoas despendessem seu tempo para lê-la. Esta era toda a extensão de minha preocupação. Você mistura uma série de ingredientes, e com sorte, a química acontece. Eu não posso explicar porque a tira tornou-se popular dessa maneira, e eu não acho que eu conseguiria duplicá-la. Muitas coisas tem que dar certo todas juntas, de uma vez.

O que você acha do legado de sua tira?

Bem, não é um assunto que não me deixe dormir de noite. Os leitores sempre decidirão se o trabalho é significativo e relevante para eles, e eu posso viver com qualquer conclusão a que eles cheguem. Novamente, minha parte em tudo isso termina quando a tinta seca.

Os leitores tornaram-se amigos de seus personagens, logo, compreensivamente, eles sofreram – e ainda estão sofrendo – quando a tira terminou. O que você gostaria de dizer a eles?

Não é tão difícil de compreender com as pessoas fazem parecê-lo. No final de 10 anos, eu teria dito tudo aquilo que eu quis dizer.

É sempre melhor deixar a festa cedo. Se eu tivesse tivesse me deixado levar com a popularidade da tira e me repetir por mais 5, 10 ou 20 anos, as pessoas que agora sofrem por “Calvin e Haroldo” desejariam que eu estivesse morto e amaldiçoariam os jornais por publicarem uma tira antiga e entediante como a minha ao invés de adquirir um talento novo e mais vivo. E eu concordaria com eles.

Eu acho que uma das razões de “Calvin e Haroldo” ainda ter público hoje em dia é porque eu escolhi não continuar com ela.

Nunca me arrependi de parar quando parei.

Por seu trabalho ter tocado tantas pessoas, os  fãs sentem uma conexão com você, como se lhe conhecessem. Eles querem mais trabalhos seus, mais Calvin, mais outra tira, qualquer coisa. É meio como uma relação de fã/estrela do rock. Por causa da sua aversão à atenção, como você lida com isso hoje? E como você lida com o fato de saber que isso irá lhe seguir pelo resto de seus dias?

Ah, a vida de um cartunista de jornal – como eu sinto falta das tietes, drogas e de quartos de hotel baratos!

Mas desde meus dias de “estrela do rock”, a atenção pública diminuiu muito. Em tempos de cultura pop, os anos 1990 estão eras atrás. Há lampejos ocasionais de estranheza, mas geralmente só sigo minha vida calmamente e faço o melhor que posso para ignorar o resto. Eu me orgulho das tiras, sou tremendamente grato pelo seu sucesso e verdadeiramente lisonjeado que as pessoas ainda a leem, mas eu escrevi “Calvin e Haroldo” nos meus trinta anos, e estou a milhas de distância deles.

Uma ilustração pode ficar congelada no tempo, mas eu cambaleio através dos anos como todo mundo. Acredito que os fãs mais ardorosos entendem isso, e estão desejosos por me darem um pouco de espaço para continuar com minha vida.

Quanto tempo depois dos Correios Americano emitir o selo de Calvin você vai levar para enviar uma carta com um em um envelope?

Imediatamente. Eu vou montar em meu cavalo e charrete e enviar uma carta-lesma com um cheque para minha assinatura de jornal.

Como você quer que as pessoas se lembrem daquele menino de 6 anos e seu tigre?

Eu voto por “Calvin e Haroldo, a Oitava Maravilha do Mundo”.

Fonte: http://www.cleveland.com/living/index.ssf/2010/02/bill_watterson_creator_of_belo.html

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