Como criar um personagem com profundidade – Parte 01

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Salve, colegas de mesas! Como todos sabem, uma das partes mais complicadas na criação de um personagem de RPG está em inserir certa profundidade narrativa, ou seja, ter um personagem que está longe de ser uma imagem estereotipada de um ser criado por Tolkien (e outros escritores de ficção) ou uma vaga interpretação do clássico “esse cara é igual a Fulano de Tal só que da raça Drow”.

Um personagem profundo, muito difícil de ser visto nas mesas de jogo, mesmo entre os old school players (Jogadores Veteranos), terá maneirismos e uma história própria que trazem todo um psicológico à tona e nos faz entender o porque de sua Tendência, Classe, Raça e também conhecer motivações e compreender as suas escolhas.

Da mesma forma, algo bem comum entre os players novatos é o medo ou a aversão ao background: parece um bicho de 7 cabeças escrever a História de outra pessoa. O bicho de 7 cabeças passa a ter 9 quando o player de RPG não tem o hábito de escrever ou quando ele não sabe como elaborar um background (“por onde começar?”).

Por esses dois motivos, preparei para vocês, jogadores novatos ou até veteranos de mesa, uma coleção de dicas retiradas de diversas fontes (leia-se livros, revistinhas e blogs sobre RPG) sobre como construir um personagem através de um background rico e cheio de detalhes.

Há muito material útil nas minhas fontes (leia-se… Ah, vocês sabem!), porém, muito do material encontrado consistia em textos extensos e sem importância, que não acrescentariam em nada na construção do personagem (para poupar espaço usaremos PC para designar Personagem, OK?). Por isso, filtrei esse material para utilizar somente o que seria útil para aquilo que me proponho fazer neste post.

E, por favor, velhos veteranos de mesa, vocês podem até achar que essas dicas não são úteis para vocês; ou podem tentar dar uma chance a esse que vos escreve e, quem sabe, até compartilhar idéias conosco, nos comentários ou via e-mail (contato@argcast.com). Mesmo reduzindo o material, ainda assim tive que dividir essa postagem em uma série de 3 posts. O Primeiro Passo segue abaixo, depois veremos o Histórico, o Objetivo e mais a frente ainda Personalidade, Detalhes Físicos e toques finais. Enjoy!

OBS.: Esses posts usaram termos de D&D, porque é o mais popular entre os RPGs e porque sabemos o quanto é complicado arrumar material deste jogo falando mais sobre role-playing (interpretação) e menos sobre regras e combos (não que esse simples post substitua um verdadeiro suplemento de D&D que ensine como interpretar papéis).

1º Passo: O Exemplo

Sejamos francos: todas as grandes idéias sobre criação de personagens fictícios já foram utilizadas. O que existe hoje são novos usos dessas idéias, com algumas mudanças em algum ingredientes, só que com a mesma receita.

Tendo isso em mente, pense bem: todos os grandes personagens que são REALMENTE famosos nos dias de hoje, já são conhecidos há muito tempo e é difícil que eles percam seu lugar no pensamento coletivo. O Naruto pode até estar na moda hoje, mas, será que daqui a 5 anos alguém vai dar bola para um guri de 16 anos com roupa de lixeiro que acha que é ninja? E convenhamos, a personalidade de menino impulsivo que sai agindo sem pensar é uma das receitas que os japoneses usam para tudo quanto que é desenho direcionado para meninos de 12 anos. Agora pergunte a alguém sobre o Batman e você verá que seu pai, seu avô, seus tios, muitas e muitas pessoas conhecem o morcegão (e será difícil tirar o lugar dele da mente popular, né, Prof. Nerd?), e o que dizer do Superman? Ou do Luke Skywalker?

Não me entendam mal, não é a fama que faz um personagem ser bom (ou sua nacionalidade). E não estou dizendo que idéias novas não funcionem, só quero deixar claro o quanto um exemplo pode vir a ser útil para se criar outro personagem. Um exemplo pode ser lapidado em um novo personagem.

Usando o exemplo do Rorschark (da série em quadrinhos Watchmen, famoso para alguns, desconhecido para a maioria das pessoas), que é bem querido por muitos amigos fãs de HQ. Talvez por sua personalidade forte e marcante e também por sua paranóia e teoria por conspiração, mas o que pouca gente sabe é que Alan Moore, ao criar o Rorschark, “bebeu da mesma fonte” do personagem Questão (Liga da Justiça).

Agora, vejamos o que os dois têm em comum: são paranóicos, não têm rostos (bem, na verdade o Rorscharck tem dois XD ), agora o que têm de diferente: um é calmo, o outro é irritadiço, um raramente aparece brigando, o outro briga direto e de forma selvagem…

Viram como um personagem pode incentivar outro sem que você note a semelhança entre os mesmos? Tá certo, Rorscharck e Questão são mais parecidos, mas o que dizer de um Cavaleiro de Armadura Negra com Pele de Dragão influenciado pelo Batman moderno que foi interpretado por um amigo meu em uma longa campanha que durou 3 anos?

Seja como for, um exemplo pode e será um bom ponto de partida para seu personagem, desde que bem trabalhado: quanto mais exótico e distante do tema de origem da história, melhor.

Um péssimo uso deste método é “meu anão é igual ao Gimli”, “meu elfo é igual ao Legolas”, “meu pirata é igual ao Jack Sparrow” ou “meu Bárbaro é igual ao Conan”. Porque aqui você está navegando nos mares da obviedade, ou seguindo o caminho do estereótipo. Nada errado em você querer fazer um Anão Guerreiro, mas, será que TODO Anão hoje em dia PRECISA odiar elfos? Ele precisa seguir a receita Gimli e ser rabugento, taciturno, carrancudo e ter um elfo no grupo que é seu rival?

Uma dica pessoal minha: ao usar o método de se basear em outro personagem (de games, HQ, literatura, etc.) ao criar um PC novo, você NÃO DEVE CONTAR A NINGUÉM que seu PC é espelhado em “X” personagem. Se você me disser que seu Guerreiro “tem a personalidade do Tony Stark” ou que ele é tipo o “Conan só que com uma foice”, daí ferrou! Toda vez que você falar de seu PC, eu irei lembrar a cara do Tony ou do Conan, essa será a primeira coisa que virá a minha cabeça e a partir desse ponto será muito mais difícil que eu crie a imagem do teu PC.

O melhor a se fazer é ter o personagem “X” como exemplo, mas aproveitar somente sua persona e o que puder de seu histórico. Para comprovar o que estou falando, se você ler o Senhor dos Anéis, e ler algo sobre Frodo, Aragorn ou Gandalf, verão que em sua mente surgirão às imagens dos atores dos filmes, assim como ao ler o conto da Branca de Neve e moça acaba ganhando a forma que Walt Disney lhe deu em seus desenhos animados.

Agora que você já tem um exemplo a seguir, iremos falar da parte em que você escreve no background (que nada mais é do que um histórico contando a vida de seus PC, até o momento em que o jogo começa). Os próximos passos explicam como criar um aspecto do seu PC e explicar isso de forma clara no background.

Lembrando-se que o background além de conter um histórico do seu PC, também pode explanar sobre sua Personalidade, Objetivos e outros aspectos importantes. Ele não é um questionário sobre sua vida, então, use essas perguntas para questionar a si mesmo sobre seu PC e depois elabore um texto explicando tudo.

Vejamos no próximo post algumas perguntas importantes a se ponderar ao se criar a História e os Objetivos do seu personagem. Abraços!

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  • http://twitter.com/roger_coy Rogerio Gelonezi

    Ótimo texto, vou indicar para vários amigos,

    Ao ler tive duas ideias para continuar essa serie,
    “A diversão de não interpretar você mesmo” e “Porque ganhar sempre não tem graça”.

    E se um dia rolar um rpg pela net, ou algum grupo de Bauru quiser marcar sessões, entrem em contato.

    Abraços!
    rogerio.solucao@hotmail.com

  • Flávia Santos

    Oi!
    Não vou mentir: nunca joguei RPG. Quero um dia jogar, mas nunca o fiz até hoje.
    Então, tu te pergunta, porque raios eu estou aqui comentando?
    Porque eu gosto de escrever. E escrever requer originalidade e personagens profundos, se tu quer uma coisa que seja levada a sério. Gostei muito do post por causa disso. Quero me aperfeiçoar nos personagens que crio e ler aqui o começo das tuas dicas tá sendo bem legal! Vou esperar pela proxima materia.
    Abraços e obrigadão!

  • Vagnerdabreu

    Que bom que gostou Rogério…Agradeço as indicações

    Bem, para a continuação desta série Post haverá mais dicas ainda, de construção de BG.
    Mas suas dicas estão anotadas Sim, podem fazer parte de um post futuro.

    Obrigado

    Abraços

  • Vagnerd

    Salve Flávia,

    Na verdade eu escrevi essa série pensando em direncioná-la principalmente para quem não joga RPG.
    Meu pensamento é muito parecido ao teu e aguarde, no proóximo post terão as coisas que eu mais me pergunto para descobrir se gosto ou não de um pesonagem ^^

    Ah, e somos também colegas de escrita…

    Abraços

  • Pasquale151

    parabens
    achei bem legal e instrutivo

    gzzz

  • http://holymane.deviantart.com mateus

    o exemplo…cara, sabe aquela fraze “na televisão nada se cria tudo se copia” não é só pra TV que ela vale, ela vale basicamente pra tudo.
    observei isso desenhando, eu não concigo desenhar nada sem ser uma mistura ou algo baseado ou uma melhoria de alguma coisa que eu já vi, e acho que isso vale pra tudo , quando se inventa alguma coisa, você olha pro problema e tenta achar uma solução usando as coisas que você tem a sua volta,
    tipo…pra abrir um cóco tu ve que se ele cair do alto ele quebra ,ai tu simula esse impacto com
    uma pedra

    ta escrevendo uma historia, quer criar uma cena legal, mistura uma coisa que aconteceu com você com um acontecimento sei la, da biblia!

    se existir um deus o que realmente diferencia ele da gente não seria onipresensa ou o poder de fazer tudo, e sim o poder de criar coisas, pura e simplismente , do nada!
    por que agente como reles mortais só podemos copiar :|

  • Vagnerdabreu

    Muito bem Matheus, se vc ver muitas das histórias quepor ai, saberá que muita coisa é copiada de outra formando um novo conto.

    E muitas vezes sem saber temos a senssação de dejavu de que já “vimos essa história en outro lugar”.

    Se você for se aventuar mais fundo no tempo,vai ver os antigos Gregos, Egípcios, Nórdicos, Sumérios… e etc tinham seus próprios deuses em seus pantões politeístas, e eles eram tão diferentes e complexos entre um povo e outro, mas no fundo tinham a mesma funcionalidade para a vida social do povo (vide os deus “iluminados ou do sol” que sempre possuem aparência jovial e comprem a função de jovém bomzinho: Apolo, Hórus, Prometeus, Thor, Buda, Krishna, Jesus, Tupã, Oxum…)

    E o mais estranho é que os mesmos conjuntos de mitos que eram crivel pelos povos do oriente também tem suas “releituras” no povos do ocidente (Indios Cheroke, Azteca, Incas, Tupis),mesmo nós estando a Km de distância! Conscidência né?

  • Vagnerdabreu

    Muito bem Matheus, se vc ver muitas das histórias quepor ai, saberá que muita coisa é copiada de outra formando um novo conto.

    E muitas vezes sem saber temos a senssação de dejavu de que já “vimos essa história en outro lugar”.

    Se você for se aventuar mais fundo no tempo,vai ver os antigos Gregos, Egípcios, Nórdicos, Sumérios… e etc tinham seus próprios deuses em seus pantões politeístas, e eles eram tão diferentes e complexos entre um povo e outro, mas no fundo tinham a mesma funcionalidade para a vida social do povo (vide os deus “iluminados ou do sol” que sempre possuem aparência jovial e comprem a função de jovém bomzinho: Apolo, Hórus, Prometeus, Thor, Buda, Krishna, Jesus, Tupã, Oxum…)

    E o mais estranho é que os mesmos conjuntos de mitos que eram crivel pelos povos do oriente também tem suas “releituras” no povos do ocidente (Indios Cheroke, Azteca, Incas, Tupis),mesmo nós estando a Km de distância! Conscidência né?

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