Dia do Quadrinho Nacional

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Nesse dia 30 de janeiro passado, muitas pessoas não sabem, foi uma data comemorativa para muitos profissionais e entusiastas das histórias em quadrinhos. Talvez mais para os profissionais como eu, futuros autores da arte sequencial e leitores de quadrinhos feitos aqui no país.

Em 30 de janeiro de 1869, o autor naturalizado brasileiro Ângelo Agostini produziu e publicou a primeira história em quadrinhos seriada no país, com personagem próprio: As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte. Esta é considerada a primeira história em quadrinhos brasileira e uma das mais antigas do mundo. Muitos acham que o pioneirismo nas histórias em quadrinhos veio dos Norte-Americanos com seu “Yellow Kid“, mas o trabalho de Agostini citado aqui antecede ao Garoto Amarelo. Se fôssemos determinar quem veio antes (a galinha ou o ovo), daríamos o crédito aos homens das cavernas (com suas pinturas rupestres) ou aos egípcios (com suas ilustrações narrativas dentro de pirâmides). Mas a arte seqüencial, com narrativa em sucessão de imagens mais texto, veio de Agostini, em sua época como ilustrador do periódico carioca “Vida Fluminense“.

Há muitos anos, os envolvidos com quadrinhos produzidos no Brasil procuram lembrar deste momento (e até reafirmar suas metas artísticas e profissionais) celebrando esta data. Sejam pequenos eventos, exposições, “maratonas de quadrinhos” em diversas partes do país, e até mesmo com uma premiação (uma das mais importantes e respeitadas do país), o “Prêmio Ângelo Agostini”.

Mas, como profissional da área, é importante pensar se realmente temos muito à comemorar. Os problemas do quadrinho nacional são de ordem econômica, de logística e até culturais. Não se tratam de roteiristas ou desenhistas ruins. Tais profissionais progridem tecnicamente adquirindo experiência e recebendo o retorno positivo (ou não) de seus leitores. Logo, delegar a problemática a eles é uma precipitação. Afinal, os mesmos não conseguem uma constância de publicação ou alcance junto ao público consumidor. Por muitas vezes, então recorrendo aos meios alternativos (como fanzines e a publicação aberta na internet), ou trabalhando (e sendo remunerados por isto) para editoras do exterior.

Os problemas aqui, sim, são econômicos, pois as baixas tiragens elevam o valor por unidade das publicações. Também são de mercado, pois um país imenso como o Brasil ainda tem um sistema de distribuição ineficiente, que torna o resultado em vendas de uma revista nas bancas uma verdadeira loteria. E não podemos deixar de pensar no aspecto cultural. Quadrinhos não são somente para crianças, como muitos pensam. Não surgem do nada, e quem os faz deve ser pago. E não erguem a bandeira de um país, sendo aprisionados em um único gênero ou fórmula. Tais obstáculos podem ser transpostos com organização e mobilização. Nas diversas camadas: do educador ao pai que compra o gibi pro seu filho/filha.

Sim, comemore o 30 de Janeiro, você que pretende ser um autor, que conhece um autor, ou É um criador de quadrinhos no Brasil. Mas espero que você vá além de uma divertida roda de cerveja, uma acalorada discussão de como preferia ou não as revistas em “formatinho”… ou uma simples aposta de quando o Cebolinha vai ou não beijar a Mônica.

Feliz dia do Quadrinhos Nacional.

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