Distrito 9

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Volta e meia aparece algum filme negligenciado pelo público maior ou pela mídia e que acaba virando cult. Distrito 9 tem tudo para se tornar um. Dirigido por Neil Blomkamp, com produção de Peter Jackson, é uma ficção científica que acaba surpreendendo positivamente.

Na história, uma nave espacial chega à Terra há vinte anos e fica parada sobrevoando Johanesburg, África do Sul. Após três meses sem qualquer tipo de sinal, uma iniciativa humana parte para o contato e acaba entrando na nave. Lá, encontram um enorme grupo de alienígenas doentes e mal-nutridos. Esses são “resgatados” e colocados em uma acampamento que acaba virando uma espécie de favela, conhecida como Distrito 9. Em 2010, a Multi-National United (MNU), uma empresa privada interessada em aprender a utilizar a avançada tecnologia alienígena, é designada para tomar conta da situação dos aliens na Terra. Tentando resolver todos os problemas surgidos ao longo dos anos, a MNU pretende realocar quase 2 milhões de aliens para uma nova área, o Distrito 10, muito parecido com um campo de concentração.

Um dos agentes, Wikus van der Merwe, encarregado de fazer a realocação, acaba ficando extremamente doente ao entrar em contato com um líquido alien, e uma transformação começa a ocorrer: mutações em seu corpo surgem e seu DNA começa a se alterar, equilibrando-se com o DNA alienígena. Com isso, ele busca a cura para sua situação ao auxiliar um alien a voltar para sua nave enquanto é perseguido pelos agentes da MNU.

Por mais óbvias que sejam as relações que podemos fazer com o filme, como apartheid e racismo, não se deixem levar pela trama aparentemente simples. O filme é muito bem conduzido, começa dando os ares de um documentário com entrevistas, e tem um ar alternativo, com bons efeitos visuais, maquiagem, sem o glamour que um blockbuster teria. O filme foge do estereótipo de alien conquistador, que vem nos dominar. Eles estão na Terra, isolados, não têm o que fazer, não sabem o que fazer, só lhes resta tentar sobreviver, sujeitando-se às condições impostas pelos homens (brancos). É outra perspectiva para as conquistas eurocêntricas, como reagimos quando temos sob nossa tutela “seres” tão estranhos a nós, capazes de serem dominados pela força bruta e nossa suposta inteligência e benevolência.

Ouvi comentários de que o filme pode ser considerado a continuação de Independence Day. Para mim, ele é tudo aquilo que Independence Day poderia ter sido e não foi. Um filme mais sério, com questões sociais realmente relevantes, que não apela e nem depende dos aspectos visuais: conta uma boa história, uma narrativa mais plausível do que simplesmente a invasão da Terra.

Ficha técnica

Título: Distrito 9 (District 9), 2009

País/Ano/Duração: África do Sul e Nova Zelândia – 2009 – 112 min

Ação / Ficção científica

Direção: Neill Blomkamp

Elenco: Sharlto Copley, Jason Cope, David James

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